A prática de gerenciamento de problemas tem um objetivo muito claro: reduzir a probabilidade e o impacto de incidentes por meio da identificação de suas causas reais e potenciais, além de cuidar do gerenciamento de soluções de contorno e erros conhecidos. Enquanto a equipe de suporte corre contra o relógio para apagar os incêndios diários, esta capacidade atua como uma equipe de investigação. Ela mergulha fundo na engenharia dos sistemas para entender o que está quebrando e evitar que os mesmos erros voltem a atormentar a operação e os clientes no ecossistema de gerenciamento de produtos e serviços digitais (DPSM).
Para que a leitura flua de forma agradável, podemos traduzir os cinco conceitos centrais dessa rotina de investigação em ideias simples do nosso cotidiano:
- Problema: É a causa real ou potencial de um ou mais incidentes. Se uma lentidão no sistema é o sintoma que o usuário sente, o problema é o vírus ou a falha oculta no código que originou esse comportamento.
- Solução de contorno: Trata-se de uma saída temporária ou paliativa que reduz ou elimina o impacto de uma falha para a qual ainda não temos uma correção definitiva. É o equivalente a usar um estepe no carro ou reiniciar um servidor travado para o serviço voltar ao ar rapidamente, enquanto a engenharia estuda uma peça nova.
- Erro conhecido: É um problema que a equipe já investigou e analisou detalhadamente, mas que por algum motivo estratégico, financeiro ou técnico ainda não foi resolvido de forma definitiva. Ele fica registrado em um catálogo para que, caso o sintoma reapareça, o suporte saiba exatamente qual botão apertar.
- Dívida técnica: Representa o acúmulo total de retrabalho que a empresa junta ao longo do tempo por optar por soluções de contorno rápidas em vez de investir em correções estruturais que levariam mais tempo para serem construídas. É como pegar um empréstimo: a gambiarra resolve o hoje, mas acumula juros operacionais que precisarão ser pagos no futuro com refatoração de código.
- Modelo de problema: Funciona como uma receita de bolo ou um roteiro padronizado e repetível para guiar a investigação de um tipo específico de falha que costuma acontecer com frequência, poupando a energia intelectual do time.
Requisitos da Prática
Mergulhar em códigos e logs atrás de causas invisíveis exige método. Para cumprir o seu propósito de forma humanizada e certeira, a organização precisa assegurar o desenvolvimento de dois requisitos fundamentais:
- Identificar e compreender os problemas e o seu impacto nos serviços: Este requisito é vital porque impede que o time gaste energia caçando fantasmas ou corrigindo falhas irrelevantes. Compreender o impacto real humaniza o processo, pois direciona os engenheiros a trabalharem primeiro nos defeitos que mais geram frustração nos usuários e prejuízos no fluxo de valor da empresa.
- Otimizar a resolução e mitigação de problemas: A importância deste pilar está na eficiência e na saúde operacional da retaguarda. Otimizar esses fluxos garante que as soluções definitivas sejam testadas e aplicadas sem burocracias sufocantes, liberando os analistas de suporte do ciclo cansativo de resolver o mesmo chamado dezenas de vezes.
Processos da Prática Gerenciamento de problemas
O fluxo de engenharia desta capacidade organiza-se estritamente em quatro processos sequenciais que transformam mistérios em soluções de sistema:
Identificação proativa de problemas
Este processo busca antecipar-se às crises ao revisar informações enviadas, registrar o problema no sistema e realizar a categorização e atribuição inicial.
- Momento real de acionamento: É ativado quando o analista de dados examina relatórios de telemetria do aplicativo móvel greenCat e percebe uma tendência leve, mas constante, de aumento no consumo de memória nas madrugadas, agindo antes que o sistema caia.
- Produto esperado: Um registro de problema preventivo categorizado e direcionado para a squad de arquitetura.
Identificação reativa de problemas
Este processo reage aos eventos passados ao registrar o problema e categorizar a demanda logo após grandes turbulências na produção.
- Momento real de acionamento: Dispara imediatamente após um incidente grave derrubar a API de faturamento por duas horas; assim que a operação volta ao ar via solução de contorno, a causa precisa ser aberta para investigação.
- Produto esperado: Registro formal de problema vinculado aos incidentes geradores.
Controle de problemas
Este processo comanda a fase de descoberta científica ao investigar o problema de ponta a ponta e comunicar formalmente o erro conhecido encontrado.
- Momento real de acionamento: Ocorre quando os especialistas isolam um bug crônico em uma biblioteca de terceiros e publicam um aviso técnico para que todo o suporte saiba como mitigar o erro temporariamente.
- Produto esperado: Um Erro conhecido documentado e comunicado de forma transparente para a organização.
Controle de erros
Este processo executa a cura do ambiente ao desenvolver a solução definitiva, iniciar a resolução prática, monitorar o comportamento do erro conhecido e encerrar o problema de forma definitiva.
- Momento real de acionamento: Ativa-se quando o time de desenvolvimento conclui o código de um patch de correção estrutural, aplica a atualização na produção e acompanha os servidores para garantir que a falha sumiu.
- Produto esperado: Encerramento definitivo do registro de problema e eliminação da dívida técnica correspondente.
Recomendações para o sucesso da prática
As “Recomendações para o sucesso da prática” são conselhos estratégicos e comportamentais fornecidos pelo framework para garantir que a investigação traga resultados palpáveis de qualidade. Acompanhe as diretrizes oficiais e suas justificativas lógicas:
- Começar a registrar os problemas imediatamente e garantir que as pessoas certas estejam nos papéis certos: É importante porque adiar o registro faz com que detalhes técnicos valiosos do incidente sejam esquecidos, além de garantir que investigadores experientes assumam o caso sem distrações.
- A prática exige uma abordagem de enxameação (swarming): Lembra que o gerente de problemas não resolverá tudo sozinho. Reunir temporariamente desenvolvedores, administradores de banco de dados e analistas em um “enxame” resolve mistérios complexos muito mais rápido do que repassar PDFs de setor em setor.
- Priorizar os problemas em ordem de valor para a organização, publicar uma lista dos principais problemas de negócio: Evita que a TI perca tempo polindo códigos secundários enquanto uma falha crítica corrói silenciosamente o faturamento dos principais clientes da empresa.
- Os SLAs não se aplicam a problemas, mas o gerenciamento melhora a qualidade: Explicar essa regra remove a pressão cega por prazos artificiais sobre os investigadores, pois uma causa raiz exige tempo para ser isolada com precisão, embora seu encerramento blinde o SLA de incidentes futuros.
- Coletar a percepção dos usuários/clientes sobre os seus problemas: Garante que a TI compreenda o lado humano do impacto, descobrindo quais falhas geram maior irritação ou perda de produtividade na ponta consumidora.
- Usar ferramentas de IA e automação sempre que possível: Permite que algoritmos inteligentes cruzem milhares de chamados de incidentes em segundos para apontar padrões ocultos de falhas, acelerando o diagnóstico humano.
Métricas-chave
As métricas-chave representam as medidas que comprovam a eficiência da capacidade em limpar o ambiente produtivo e estancar o surgimento de novas interrupções de serviço. No caso real desta prática, elas medem a redução do caos operacional:
- Incidentes sem erro conhecido: Rastreia o volume de falhas inéditas que pegam a equipe de surpresa, indicando a necessidade de intensificar as investigações proativas.
- Problema identificado: Quantifica o volume de causas reais mapeadas e catalogadas de forma clara pela equipe de engenharia.
- Incidentes que exigem urgente investigação de problemas: Sinaliza a quantidade de crises repetitivas ou severas que precisam furar a fila de prioridades devido ao risco de negócio.
- Incidentes prevenidos por resolução de problemas: A métrica mais valiosa, pois comprova financeiramente quantas quebras deixaram de acontecer graças ao fechamento definitivo de causas raiz.
- Incidentes resolvidos por investigação de problemas: Mostra o volume de chamados que foram fechados em lote na produção assim que o patch definitivo foi aplicado no sistema.
- Erro conhecido aberto: Mede o tamanho do catálogo de falhas mapeadas que aguardam uma janela de investimento ou correção, servindo como termômetro da dívida técnica da empresa.
Papéis-chave específicos da prática
Os papéis-chave específicos da prática organizam a estrutura de propriedade e as lideranças responsáveis por capitanear as investigações técnicas sem que os fluxos se percam na correria. Sob as diretrizes oficiais do framework, a execução apoia-se em dois perfis dedicados:
- Gerente de problemas: O profissional encarregado de governar a prática, gerenciar o catálogo de erros conhecidos, publicar a lista de prioridades de negócio e garantir que a cultura de melhoria da qualidade seja mantida.
- Coordenador de problemas: Atua no suporte operacional e tático das investigações, organizando as sessões de enxameação (swarming), coletando métricas e facilitando o diálogo técnico entre o suporte e o desenvolvimento.


